quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Capuchinho Vermelho e o Lobo Bom



Elementos: poluição, cidade, telemóvel, GPS, incêndio, sopa de legumes, vegetariano.

Era uma vez uma menina chamada Capuchinho Vermelho. Ela morava com os pais na cidade. A cidade onde viviam era muito poluída. As pessoas jogavam água suja pelas ruas, algumas até, em vez de deitar o lixo nos contentores, deitavam-no no chão ao pé dos mesmos. Havia muito fumo no ar e muito barulho dos carros que passavam, a toda a hora, em frente à sua casa.
Um dia, os pais dela decidiram deixar a cidade e ir morar no campo. O ar do campo é mais saudável e, ainda por cima, a criança teria mais espaços para brincar porque na cidade corria o perigo dos carros na rua.
No campo, também morava a avô da Capuchinho Vermelho, mas só que ela morava nas montanhas de Pico d´Antónia.
Um dia a mãe disse à capuchinho:
 - Leva-me esses bolinhos para a tua avó, lá nas montanhas. A casinha é branca, tem uma porta e uma janela e fica entre duas grandes árvores da floresta. Toma aqui o teu telemóvel. Quando chegares lá, avisa-me para poder falar com a mamã. Não fales com desconhecidos na floresta. É perigoso.
  - Está bem, mãe.
Capuchinho saiu e ao entrar na floresta deu de caras com um lobo cansado e olhos arregalados.
  -Oi, linda menina de capuz vermelho!
- Olá, sr. Lobo. Não posso falar com você, porque a minha mãe proibiu-me, mas… o que te aconteceu para estares com os alhos arregalados e muito cansado?
 - Olha, minha linda menina – começou a chorar – na floresta onde eu morava, o homem colocou fogo e o incêndio espalhou-se… morreram todos os lobos. Só restou eu. Perdi toda a minha família!
- Coitadinho – disse a Capuchinho – desculpa, mas eu vou ver a minha avozinha e levar-lhe um bolo.
- Ai sim…E onde vive a tua avozinha?
- Vive numa casinha branca lá nas montanhas entre duas grandes árvores.
O lobo, já com água na boca, tirou o GPS e localizou a casa da avó pensando Nham nham, hoje eu não vou passar fome! E disse-lhe:
- Bem, Capuchinho Vermelho, vamos fazer uma aposta? Quem vai chegar primeiro à casa da tua avó?
- Está bem – respondeu ela.
- Tu vais por este caminho e eu noutro. Capuchinho Vermelho, gostei de te conhecer. Dá-me o teu número de telemóvel.
- Não posso. Minha mãe proibiu-me de dar o meu número de telemóvel para estranhos.
- Está bem, mas agora vou andando… até breve!
- Adeus, respondeu Capuchinho Vermelho - sem sequer imaginar o que o lobo estava a planear.
Como o lobo era muito esperto e manhoso, localizou a casa da avó. Ele pelo atalho, até a casa da avozinha, de modo a chegar primeiro que a Capuchinho Vermelho.
Quando lá chegou, bateu à porta da casa da avozinha. De dentro da casa, a avozinha que estava a fazer uma sopa de legumes, respondeu:
- Quem é?
E o lobo disse, com voz fina:
- É a Capuchinho Vermelho e trago um bolo para ti, avozinha.
A avó dirigiu-se para a porta e quando abriu a porta, o Lobo lançou-se para cima dela:
- Eu vou te comeeeeer!
A avó, com toda a calma do mundo:
- Se acalme, sr. Lobo. Comer carne é coisa do passado. A moda, agora, é ser vegetariano.
- Vegeta… o queê?
- Ve-ge-ta-ri-a-no. Com esse problema de carne que está no mundo, todo mundo agora prefere frutas e hortaliças. Quer provar a minha sopa de legumes? Tenho certeza que o senhor vai gostar. Sente-se aqui sr. Lobo.
O Lobo estava servindo a sopa quando Capuchinho chega finalmente a casa da avó. Vendo a porta entreaberta, bateu e disse:
- Está alguém em casa? Avozinha?
- Está sim. – respondeu o Lobo.
- Lobo! Como chegaste até aqui? – perguntou a Capuchinho admirada.
- Eu cheguei primeiro porque agora o que está na moda são as novas tecnologias. GPS! Ganhei a aposta.
A Capuchinho foi abraçar a avó e esta convidou-a a sentar à mesa com eles. Enquanto conversavam, um caçador que passava por ali escutou umas vozes na casa da avó, uma delas a do Lobo. Aproximou-se da casa e entrou de rompante e puxou o gatilho. Quando ia disparar a avó e a Capuchinho gritaram:
- Não atire! Ele é um Lobo bom. Agora ele é vegetariano.
- Vegeta… o quê?
- Vegetariano, sr. Caçador. Ele agora só come legumes e hortaliças. O sr. não está a ver como ele está a comer a minha saborosa sopa de legumes? Quer provar?
- Sirva-me um prato, por favor, estou esfomeado.
Os quatro sentados à mesa saboreando a deliciosa sopa da avó. O caçador prometeu nunca mais fazer queimadas na floresta. A Capuchinho telefonou à mãe relatando o sucedido.
 No final, como sobremesa, um delicioso bolo que a Capuchinho trouxe.
Marilene Pereira, CCB-CV

Professores do Ensino Básico aprendem Escrita Criativa



  O Centro Cultural Brasil-Cabo Verde arrancou, no ano letivo em curso, com o projeto Escrita Criativa na escola. Neste momento são dois projetos pilotos em desenvolvimento, com turmas do sexto ano de escolaridade, na capital cabo-verdiana. Um iniciativa decorrente da experiência do CCB-CV com a oficina de escrita criativa durante as suas atividades de verão.
O trabalho nas escolas onde funciona o projeto piloto visa, não só, promover o gosto pela leitura dos alunos, um total de 60, como também o gosto pela escrita e pela língua portuguesa. A médio prazo o que se pretende é ver o impacto dessa aprendizagem no desenvolvimento integral dos alunos participantes.
Essa iniciativa, e o trabalho de “contação” de histórias que o CCB-CV tem feito nas escolas e em lugares públicos, atraiu interesses de professores, de direções de escolas e instituições que querem multiplicar esse saber.  O Centro tem respondido, positivamente, a essa solicitação e em dezembro do ano passado participou de um programa de capacitação para a leitura e escrita em língua portuguesa, organizado pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).
Na altura, o professor Ricardino Rocha capacitou um grupo de 20 coordenadores de várias escolas do ensino fundamental da ilha de Santiago. A atividade foi uma espécie de vitrine para esta atividade específica do Centro e, desde então, têm-se multiplicado os convites para formação de professores. Exemplo disso é que o referido professor já esteve à frente de uma formação, realizada em fevereiro para um grupo de 27 na cidade de Assomada.
Mais recentemente, o mesmo professor dirigiu o mesmo curso na Escola do Ensino Fundamental, na localidade de Ribeira da Barca, para um grupo de 22 professores. Na altura alguns professores disseram que essas técnicas trariam um grande impacto: na forma como os professores abordariam o ensino da língua portuguesa, assim como os alunos sairiam a ganhar com esse jeito simples e prático do ensino da escrita.
Esse know how do CCB-CV em técnicas de contação de história e escrita criativa só foi possível a partir de uma formação dada em Cabo Verde, e na qual participaram professores do Centro, pelo Costurando Histórias. O grupo esteve em Cabo Verde, integrado na programação financiada pelo Departamento Cultural do Itamaraty, no ano de 2012.  Desde estão somaram-se milhares de crianças e dezenas de professores tocadas por essas atividades.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Misericórdia Inesperada


No baú das minhas recordações encontrei este texto(história) recriada pelos meus alunos a quando da tarefa de continuar um texto do manual do 10º ano...
A Misericórdia Inesperada
Autores:  
Karine de Jesus Nº23
Laurentina Pires Nº24
Sara Melany Gomes Nº35
Shauna Rogers Nº36

 Editor: Ricardino Rocha
                                               
Escola Secundária Abílio Duarte

Introdução
            No decorrer da disciplina de Português, nos foi selecionado a capacidade de criatividade, originalidade, novidade e interesse pelo Professor Ricardino Rocha. Neste trabalho vamos dar a continuidade a história acerca de um pai e duas filhas.
            Esperamos ser compreensivos e acessíveis a vossa disposição.

 A misericórdia inesperada

            Certa ocasião havia grande fome na terra. Desde dois anos o mês de outubro não dera um pingo de água para refrescar a planta já amorrinhada do leu-leu escasso de setembro. Um homem de Fajã de baixo vivia na sua casinha com duas filhas, já raparigas na vida castigada da pobreza. Vocês sabem que pobre é como cama de chão, todos passam por cima. Um dia assim que os galos deram a última pousa (tinham dormido sem cear), saiu com as filhas furar a vida onde Deus fosse servido de mostrar a sua misericórdia. Andou, andou, passou a Assomada do Mancebo, e ali por endireitura de Fragatinha encontrou grande estencial de batata conteira num fundo de quebrada. Encheram os balaios, mas o homem, com a voz cheia de respeito, recomendou ás filhas:

            -Ó minhas filhas, vocês não deem a ninguém conta desta senhora comida!

            E retornaram á casa com uma enorme satisfação pela misericórdia recebida. Alguns dias depois tornaram a voltar para a lugar onde se encontra a 'senhora comida' encheram os balaios e voltaram para casa, mas sem dizer a ninguém o que sucedera com a família.
            Mas como havia de ser, começaram a reparar neles, pois encontrava-se numa época de grande fome todos desconfiavam da fartura ou ao menos não muito trabalho na parte deles em conseguir comida.
            Eles colhiam e para garantir que a fome jamais lhes bateria à porta começaram a cultivar a batata, e como o solo era fértil e propicio a pratica de agricultura, começaram a cultivar tudo que fosse possível.
            E era estranho que a visitas da casa, de um dia para o outro, tivessem aumentado, como se toda a gente soubesse ou adivinhasse que a fome já não se atacava   ou perfurava aquela família.
–         Onde arranjam a comida? Quem lhos dá?  Para onde vão o encontrar?
E eles respondiam sempre:
- São restos da colheita passado que guardamos pensando em épocas de fome pela qual viéssemos a passar e pelo que veem aqui estamos.
            Mas nem todos acreditavam naquela história. Mais tarde a escassez de alimentos começou a piorar ainda mais, ao ponto de as pessoas desanimarem, e ficarem doentes ou até a morrer.
           
          A fama desta família começou a alargar por toda a aldeia, ao ponto de serem os proprietários mais conhecidos da região dando entrada a uma nova realidade das duas filhas.                                             

Romance
             Ao longo do tempo a fama tornou-se uma forma essencial até chegar aos ouvidos de dois grandes proprietários de uma aldeia vizinha cujo eram:
            O Senhor António e o Sr. João, possuíam as maiores herdades de cultivação da época e sobretudo eram os verdadeiros donos da grande estencial de batata conteira.
 
            Essa família vivia em Fajã de Baixo e os dois grandes proprietários viviam numa cidade vizinha «Assomada do Mancebo». Em que era surpreendente de beleza e parecia que a Natureza caprichou em ali demonstrar a capacidade das suas deslumbrantes fantasias. Com rochas enormes pela ação da humidade resultante de permanente nuvens que lhe circundam. Possui-a as condições que seriam necessárias a boa pratica da agricultura e a sobrevivência dos vizinhos.

            Mas, os dois proprietários já não se preocupavam com a existência daquele estencial de batata e, contudo, passou a ser cultivada pela família.

             As duas filhas chamavam-se: Maria e Mariana; (Família Oliveira)
            Os dois proprietários chamavam-se: António e João. (Família Fernandes) 

             Passado algum tempo a família Oliveira decidiu viver na Assomada do Mancebo devido à grande riqueza possuída na mesma propriedade. Através dessa mudança levou com que conhecessem a família Fernandes durante a distribuição de donativos que eram feitas por fileira.
             Ali encontrava vários senhores de diferentes regiões para assinarem contratos de negócios a nível alimentar. Os grupos sociais eram variantes com diversas ambições e cobiça.
            A Maria e a Mariana eram já raparigas com tudo gêmeas de dezoito anos e tinham uma formosura aos olhos da família Fernandes. A Maria conheceu o António e a Mariana conheceu o João.
            E para festejarem as boas vindas deram uma grande festa a todos os moradores da aldeia com a participação da família Oliveira e Fernandes. No decorrer da festa houve ´troca de olhares' por ambos, as gêmeas e os irmãos estavam ligados por um mesmo sentimento e no fim da festa o pai das duas filhas (Nhô Morgado), considerou tudo e apresentou-as a família Fernandes mas ele ainda considerava as duas filhas sendo as suas crianças e contudo ele não possuía uma mulher que pudesse lhe ajudar a enfrentar os desafios da vida.
            Naquele tempo demonstrava-se o amor através do casamento e para isso tinham que viver juntos construindo a sua própria família. Pois a mãe dos proprietários era viúva em que o marido morrera a dez anos atrás e a mãe da família Fernandes não se sentia preparada para viver sozinha tal como o pai das gêmeas. 
            Por causa do respeito que as filhas e os irmãos tinham para os seus pais eles decidiram não casar ate seus pais se prepararem, tiveram privilegio de comunicarem através de negócios e aproveitavam os momentos para declararem e aumentando cada vez mais o amor.
              
A riqueza cobiçada
            Alguns tempos depois eles entraram num negocio com um senhor chamado Bruce Lee. Ele tinha um caráter ambicional tendo a cobiça em suas mãos. Porem a Família Oliveira e Fernandes não conheciam essa personalidade.
             O contrato consistia em exploração de terra e que quem conseguisse tornar a propriedade do estencial em terreno fértil poderia ficar com ele, mas se for caso a contrario perderiam tudo. Aquele terreno foi cultivado a muito tempo pela família Oliveira. Num certo dia a provisão alimentar em casa tinha esgotado e tinham de regressar ao estencial. No caminho do estencial os irmãos viram as gêmeas e decidiram seguiram-nas numa distancia respeitável. Quando elas chegaram e começaram a colher a batata, os irmãos lembraram que aquela terra era deles. Todavia a terra não era propicia para agricultura e com isso ficaram muito felizes, eles aproximaram-se das gêmeas revelando tudo e agradecendo a força e o esforço da família.
            O Imperador Bruce Lee consentia-se em deixa-los com o terreno e com cobiça em saber que a terra já foi trabalhada pela família Oliveira tentou formular uma estratégia para possuir a herdade. Com o plano tudo organizado ele chamou os irmãos para revelar que as meninas tinham roubado aquele estencial das suas mãos. Quando os Fernandes ouviram isso, não acreditaram que elas poderiam fazer isso, contudo não tinha outra opção em acreditar nele.
            Para vingar Bruce arranjou um produto de esterilização para infertilizar a terra. No dia seguinte a Isabel (mãe dos irmãos) passava por outro lado do estencial em coincidência viu o Imperador destruindo e infertilizando a terra do estencial. E logo foi avisar a família Oliveira, Nhô Morgado, quando ouviu isso correu ate o estencial juntamente com a Dona Isabel para apanhar o Bruce. Felizmente eles chegaram a tempo conseguindo uma terça parte do estencial. No meio de tudo isso chegaram os policiais fazendo a justiça e ordem familiar.
            Bruce foi preso e mandado para China com a prisão perpétua.

A batalha vencida
            Depois de tudo que aconteceu a mãe e o pai chegaram a decidir que não precisavam dos seus filhos para cuidar deles o tempo todo. E que era necessário para as meninas crescerem e possuírem suas vidas próprias ao lado dos irmãos. Assim eles organizaram o casamento, convidando toda a gente.
            No dia da grande festa maravilhosamente receberam uma grande dádiva do céu, a grande chuva caiu em toda ilha de São Nicolau pela primeira vez em quatro anos acabando com a fome e a seca na terra, alegrando a natureza. E tomaram o nome de Família Oliveira- Fernandes.
            Tal como isso não era suficiente, a Isabel e Nhô Morgado viveram junto com a intenção de casar nos próximos anos.
             E assim eles viveram felizes até a morte.
FIM

 Conclusão
            Este trabalho foi interessante e com bom objectivo. Nós aprendemos ter mais respeito pelos autores porque nesta experiencia vimos que para criar uma história não é uma coisa fácil.

Lição de moral:  A humildade e a modéstia foram premiadas com um saco de dinheiro e felicidade (casamento) enquanto que a cobiça arrogante era castigada com um açoite de pau de tamarindo (prisão perpetua).