segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Profissão docente: lições à volta do mundo



Por Andreia Lobo 

A OCDE mostra uma panóplia de soluções encontradas em diversos países para valorizar a profissão docente. Uma tónica é comum: as grandes reformas na educação implicam consensos.
O Reino Unido e a Finlândia melhoraram o estatuto da profissão docente para atrair candidatos aos cursos de ensino. Em Singapura, os potenciais professores são selecionados entre os melhores alunos do secundário. Na Suécia, os salários são negociados individualmente entre o professor e o diretor da escola, permitindo salários mais elevados em áreas geográficas ou disciplinares de escassez. Incentivos salariais para premiar a competência e a criação de padrões profissionais na Noruega e Austrália, foram as soluções encontradas para dignificar a classe.
O relatório "Construindo uma profissão docente de alta qualidade: Lições à volta do mundo", publicado pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), fornece exemplos vindos de todo o mundo de como a colaboração entre ministérios da Educação, representantes docentes e autoridades locais serve de base à transformação da profissão.
Nutrir o talento
Em Singapura, a vocação para o ensino não é deixada ao acaso. O governo seleciona os candidatos a professor entre os melhores alunos do secundário oferecendo-lhes uma bolsa mensal, equivalente ao salário dos recém-licenciados, durante o período de formação. Em troca estes professores comprometem-se a lecionar por três anos no ensino público. O sistema educativo prevê ainda a entrada no ensino a quem está a meio de outra carreira. Acredita-se que seja uma forma de trazer experiência do mundo real para a escola. Quem escolhe a profissão de docente pode seguir três saídas diferentes: professor mestre, especialista em currículo ou investigação, e líder escolar. Cada uma com benefícios salariais específicos. A avaliação, feita anualmente após os três primeiros anos de ensino, tem como objetivo perceber qual das carreiras se adequa melhor às apetências do docente.
A preocupação com a satisfação dos professores reflete-se no modo como o governo tem ajustado os seus salários em conformidade com os dos outros licenciados. Tornar o ensino tão compensatório como as outras profissões é a estratégia usada para atrair candidatos mais qualificados.
Mudar a imagem
Quando tomou posse, o governo de Tony Blair enfrentou a pior escassez de professores de que há memória no Reino Unido. Cinco anos depois, contavam-se oito candidatos para cada vaga. O aumento dos salários, mudanças importantes nas escolas e um programa de atribuição de bolsas de estudo aos candidatos marcaram a reviravolta.
Com forte apoio político e financeiro, no ano 2000, a Agência de Formação e Desenvolvimento (AFD) realizou uma extensa pesquisa de mercado sobre as motivações e barreiras à opção pela carreira docente. Concentrando-se na ideia de ensinar "a fazer a diferença", foi lançada uma campanha para melhorar a imagem do magistério onde também se destacavam fatores como a diversidade de competências que os professores adquirem, a variedade de saídas profissionais no ensino e a possibilidade de fazer do ensino uma "carreira" inicial, antes da passagem para outras.
A abordagem publicitária foi direta. A criação de uma linha telefónica de informação nacional permitiu recolher dados sobre os interessados na via ensino e sinalizar estudantes com competências para áreas de escassez, como a matemática e a física. Em 2005, o número de professores nestas disciplinas já tinha duplicado.
Elevar o estatuto profissional do professor foi também uma estratégia utilizada na Finlândia. Os professores sempre gozaram de grande respeito na sociedade finlandesa. Mas ao elevar a fasquia de acesso aos cursos de ensino e ao conceder maior autonomia aos professores na sala de aula, o governo conseguiu dignificar ainda mais a profissão.
Em 2010, contavam-se 660 vagas disponíveis nos cursos de ensino primário (do 1.º ao 6.º ano), nas oito universidades que formam professores, para 6600 candidatos. Este clima competitivo tem tornado o ensino uma profissão seletiva e altamente qualificada.
Desde 1980 que o recrutamento docente tem como critério a capacidade de transmitir uma educação pública tão profundamente humanista, como cívica e económica. A formação inicial prepara o corpo para assumir a responsabilidade pelo bem-estar e a aprendizagem dos alunos. Durante a carreira espera-se ainda que os profissionais do ensino combinem a prática letiva com a investigação.
Melhorar as práticas
O professor é formado para realizar pesquisa-ação durante a prática letiva. As autoridades de Xangai, na China, contam com estas investigações para melhorar o método de ensino individual e, assim, a qualidade do sistema educativo. À semelhança do que acontece na Finlândia, nenhum aluno é, literalmente, autorizado a ficar para trás. Por isso, é essencial ao docente ter a competência e o conhecimento necessários para criar um vasto e atualizado leque de soluções para os problemas de desempenho dos estudantes.
Ao longo da carreira, os professores desta província chinesa participam em grupos de "estudo-ensino", muitas vezes envolvendo outros profissionais que os ajudam a melhorar a forma como ensinam. Durante estas sessões, os participantes elaboram planos detalhados sobre tópicos a lecionar que os guiam durante as aulas e atestam o seu desempenho profissional. Muitas vezes, as aulas dos seniores são observadas pelos colegas mais inexperientes, quando é introduzida uma mudança no currículo ou para que a sua prática sirva de exemplo.
Para subir de escalão, o professor deve contribuir para a formação de novos docentes e publicar artigos em jornais ou revistas sobre educação e ensino. A autoridade provincial muitas vezes identifica os melhores professores que emergem de processos de avaliação e retira-lhes a componente letiva, para que possam dar palestras aos seus pares, proporcionando demonstrações de aulas no distrito, província e mesmo a nível nacional.
Diversificar a carreira
Na Austrália, a estrutura da carreira envolve dois a quatro escalões, com aumentos salariais anuais: de professor iniciado a experiente - com ou sem responsabilidades na liderança da escola ou na coordenação de uma área de ensino - de assistente do diretor a diretor, e por último, o exercício de cargos na administração distrital ou regional. No entanto, a subida aos escalões mais altos requer a existência de vagas.
Na Inglaterra e País de Gales, foi introduzido em 1998 na carreira docente o grau de Professor com Competências Avançadas (PCA), que fornece uma rota alternativa para quem deseja permanecer na sala de aula. Estes professores passam 20% do seu tempo de trabalho a apoiar o desenvolvimento profissional dos seus colegas e o restante a lecionar. Os candidatos podem concorrer a este grau em qualquer ponto da carreira sujeitando-se a uma avaliação externa que engloba entrevistas e observação de aulas. Em julho de 2004, cerca de 5 mil professores passaram a avaliação de PCA e a intenção é graduar entre 3% a 5% da classe.
Na Irlanda, 50% da classe docente pode alcançar uma das quatro principais posições na carreira: diretor, diretor adjunto, assistente do diretor e professor com deveres especiais na gestão da escola. Os dois últimos cargos obrigam os docentes a ter responsabilidade sobre assuntos académicos, administrativos e pastorais, incluindo arranjos de horários, na ligação com as associações de pais, e na manutenção de equipamentos escola. Tudo isto a par da componente letiva. A seleção para estes cargos é feita pelo diretor e o conselho de administração da escola.
No Quebeque, Canadá, os professores mais experientes podem trabalhar como mentores dos colegas que lecionam nos cursos de ensino, recebendo uma remuneração adicional ou uma redução na componente letiva. Cerca de 12 mil professores participam no programa mentor. Alguns têm a oportunidade de se tornar copesquisadores nas universidades, participando em estudos colaborativos sobre temas ligados ao ensino, aprendizagem, gestão de sala de aula e sucesso ou fracasso do aluno.
Negociar salários individuais
Em 1995, a Suécia aboliu o salário fixo dos professores, como parte de um pacote destinado a aumentar a autonomia local e da flexibilidade no sistema educativo. O governo federal estabeleceu um salário mínimo a partir do qual o montante passaria a ser negociado individualmente. E, comprometeu-se a aumentar substancialmente os vencimentos ao longo de cinco anos, com a condição que nem todos os professores recebessem o mesmo aumento.
Os salários são negociados quando da contratação e anualmente pelo diretor e o professor, que pode solicitar assistência do sindicato. A negociação é feita com base em vários fatores. O nível de ensino é um deles. No secundário os salários são mais elevados que no básico. A situação do mercado de trabalho é tida em conta: os ordenados são melhores nas regiões ou disciplinas onde faltam professores, como a matemática e as ciências. O acordo coletivo exige que o aumento salarial esteja ligado a uma melhoria do desempenho, permitindo que as escolas possam diferenciar a remuneração de professores com tarefas semelhantes ou responsabilidades acrescidas.
Criar padrões profissionais
O Instituto Australiano Ensino e Liderança Escolar (IAELE) estabeleceu padrões profissionais nacionais para os professores, aprovados pelos ministros federais e estaduais em dezembro de 2010. O objetivo: tornar claro o que os professores devem saber e ser capazes de fazer, ao longo da carreira e nos domínios do conhecimento e da prática profissional. Fazem parte deste instituto os sindicatos ligados ao ensino e um órgão independente para a promoção da excelência profissional e liderança escolar.
Uma ampla reforma focada para melhorar o ato de ensinar, foi a solução encontrada em 2003 pela província canadiana de Ontário para qualificar a profissão. Aos professores foi dada a oportunidade de pôr em prática novas ideias e de aprender com os seus colegas. A estratégia integrou as expectativas dos alunos e dos professores. A reforma ganhou o apoio da classe docente pois viria a ser implementada por especialistas, afastando os burocratas.
Para a aceitação foi central a assinatura de acordos de quatro anos com os principais sindicatos do setor, nos anos 2005 e 2008. O ministério foi assim capaz de negociar itens consistentes com a sua estratégia e os interesses dos sindicatos, que incluíam uma redução do tamanho da classe e a criação de tempo de preparação extra. Medidas que permitiram a criação de 5000 e 2000 novos empregos, respetivamente. Estava criada a paz laboral para ocorrer a mudança necessária.
Incentivar a competência
Na Noruega, os governos e os sindicatos têm colaborado para melhorar e reconhecer a competência dos professores. Em 2008, o leque salarial foi alargado para premiar professores altamente competentes, sempre que identificados pelo diretor da escola.
O Ministério da Educação norueguês, a organização central para governos locais e regionais, instituições de formação de professores e sindicatos criaram um sistema de educação para professores em serviço. Cerca de 2 mil vagas foram reservadas em faculdades e universidades para serem ocupadas a tempo inteiro ou parcial. Aos participantes foi concedida licença laboral com vencimento, sendo os custos da sua substituição na escola suportados pelo governo central e o empregador local.
Apesar do acordo, entre o governo central e os parceiros educacionais, a implementação destas e outras iniciativas para aumentar a competência docente só avança com o aval das respetivas autoridades locais, compostas por 420 municípios e 19 distritos.
Ao longo do relatório, a OCDE sublinha a importância de colocar o professor no centro das mudanças educativas. A avaliação e a recompensa devem andar de braço dado, diz a organização. Autonomia e responsabilidade também são essenciais para elevar o estatuto social da profissão docente.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Pensamento do dia:

"Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender" - Paulo Freire, pedagogo brasileiro

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Para refletir:

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.
Se quer viver uma vida feliz, amarre-se a uma meta, não às pessoas nem as coisas.
Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.
A ação nem sempre traz felicidade, mas não há felicidade sem ação.
Para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto.

domingo, 24 de junho de 2012

E.S. Amor de Deus ganha o 1º Concurso de Literatura





Foi neste sábado, 23 de junho de 2012 a finalíssima do concurso que põe fim à 1ª Edição do Campeonato Municipal de Literatura. Frente a frente estiveram as Escolas Secundárias Cónego Jacinto, Manuel Lopes, Abílio Duarte e Amor de Deus.
A grande vencedora foi a Secundária Amor de Deus de Terra Branca arrebatou o primeiro lugar enquanto a Escola Secundária Abílio Duarte do Palmarejo ficou em segundo.
No terceiro lugar ficou a Escola Secundária Cônego Jacinto da Várzea e no quarto a Escola Secundária Manuel Lopes da Calabaceira.
Todas as escolas finalistas receberam os prémios: computadores, impressoras, UPS e pendrives de 8 gigas.
Recorda-se que esse concurso foi feito pelo Centro Cultural Brasil Cabo Verde em parceria com a Praia FM2 – Radio Kultura.
                                                          Por: Ricardino Rocha

sábado, 23 de junho de 2012

Finalíssima do Concurso regional de Literatura

É já neste fim de semana ( Sábado, 23 de junho de 2012, às 17 horas) a finalíssima do concurso que põe fim à 1ª Edição do Campeonato Municipal de Literatura. Frente a frente as Escolas Secundárias Cónego Jacinto, Manuel Lopes, Abílio Duarte e Amor de Deus.

Recorde-se que na primeira fase estiveram frente a frente o Liceu Domingos Ramos do Plateau e a Escola Secundária Cônego Jacinto, da Várzea, na segunda Escolas Secundárias Manuel Lopes, da Calabaceira e a Constantino Semedo, da Achada S. Filipe e na terceira fase, Escolas Secundárias Abílio Duarte do Palmarejo e Pedro Gomes de Achada Santo António e  na quarta fase, Escola Secundária Amor de Deus de Terra Branca e Centro Educativo Miraflores de Palmarejo Grande.

O concurso vai acontecer na Praça do Café Sofia e vai ter a transmissão direta da rádio Praia FM2-Radiu Kultura. Os participantes são estudantes do 11º ano da área de Humanística das duas escolas. O desafio é responder a perguntas sobre literatura brasileira.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mensagem do dia:

Leia mais!

Aproveite seu tempo.

Não deixe que a ociosidade alimente pensamentos negativos, porque estará perdendo um tempo precioso que não voltará mais. Leia mais!

A boa leitura alimenta o cérebro e controla as emoções.

O livro é um amigo discreto que não se impõe a ninguém, e só fala conosco quando temos vontade de conversar com ele.
Leia mais, e faça do livro seu melhor amigo!

Fonte: http://www.padremarcelorossi.com.br/

R.I.P. Dioneia - descanse em paz

O 9e10dejunho deseja à família enlutada da professora Dioneia Aracy as mais sinceras condolências pela perda irreparável da mesma.

O mesmo sentimento se estende a todos os alunos e professores da Escola  Secundária Abílio Duarte.
Que a terra lhe seja leve.
Paz à sua alma.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Finalistas

Em todas as escolas do EBI,secundárias e universidades está-se a viver os momentos áureos na vida dos estudantes: anos de muita luta, sofrimento, estudos e muito sono perdido é agora substituído com a imposição de fitas. Quem não gosta de agora subir no palanque e ser coroado de fitas pelo seu encarregado de educação? Todos querem!
É nesse momento tão especial, que é apenas uma etapa de entre muitas outras, que nós do 9e10dejunho desejamos a todos os finalistas de Cabo Verde votos de muita prosperidade  na vida acadêmica e que... venham mais cinco!

Ricardino Rocha

Crónica de Josimar Barros

Azar



Como todos os jovens, tive uma vontade enorme de entrar no ensino secundário.

Mas, depois de alguns anos nesse "inferno de discriminação" desejei nunca ter de passar por isso na escola. Praticamente todos os dias vejo a desigualdade socio-económica por que passa na minha escola, em que ela está determinada pela divisão da escola em duas partes: Os "kopu leti" e os "Borra café".

Aqui os ricos tem privilégios talvez mais do que alguns professores da escola, e eles são caracterizados de serem os melhores alunos em tudo. Eles têm a sorte da Direção levar-lhes os melhores professores, as melhores turmas, e no entervalo de 20mn eles estão com Coca Cola na mão a se desfrutarem.

Mas os "Borras" são considerados como os piores da escola. Eles têm o azar da Direção dar-lhes os piores de tudo da escola como se fossem uma lixeira.Têm os piores professores, as piores sala, as piores turmas, etc. Coitados! já os vi a ir a direcção aos milhares, a varrer as salas coisa que as empregadas deviam fazer.

Eu já fui vitima dessa discriminação absurda.Mas estou a desabafar sobre o que sofri na minha escola.

Cronista: Jusimar Misael Barros Cruz Nº: 23 Turma: G
Estudante da ESAD – Escola Secundária Abílio Duarte



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Horários do Programa "Literatura nas ondas da Rádio"

Aos ouvintes e alunos das escolas finalistas do Concurso Regional de Literatura seguem-se os Horários do Programa "Literatura nas ondas da Rádio", na PRAIA FM 2 - RÁDIO KULTURA 104.1

Concurso Municipal de Literatura
Programa Literatura nas Ondas da Rádio
Quinta edição - FINALÍSSIMA (Literatura Brasileira)

Segundas: 8h20, 15h, 19h20


Terças: 13h


Quartas: 10h10


Quintas: 20h30


Sextas: 15 h


Sábados: 15h e 19h30


Domingos: 10h e 16h